quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Vento

 Ah, o vento... esse danado que não se deixa prender por nada, nem mesmo pelos laços invisíveis da gravidade. 


É incrível como ele sabe ser sopro suave, acariciando gentilmente o rosto e fazendo as folhas das árvores sussurrarem segredos das matas... Traz consigo os aromas da terra molhada depois da chuva, faz dançar os tímidos flocos de neve recém criados na montanha austera.


Mas não se engane, esse espírito livre também tem seus momentos de rebeldia. Às vezes, ele vem com força, desalinha cabelos, desafia guarda-chuvas e faz as janelas baterem como tambores em um concerto desordenado. É como se dissesse ao mundo: "Eu estou aqui, não me ignore!"


O mais curioso é como o vento é capaz de transportar também palavras. Sim, palavras perdidas que alguém deixou escapar numa tarde de outono em uma casinha no meio da floresta, ou durante uma conversa despretensiosa no coração de uma metrópole. Ele as carrega consigo, levando para onde bem entender, como mensageiro de histórias não contadas e segredos não revelados. Ele ecoa memórias, conduz nossos desejos mais profundos para lugares distantes, como mensagens em garrafas lançadas ao mar.


Imagina se o vento tivesse memória... Seria como um velho sábio que guarda cada murmúrio sussurrado ao seu ouvido. Ele não só sentiria o presente, mas carregaria consigo o tempo, como um cronista das eras que já passaram, assim como também um impulsionador para o futuro, abrindo portas e janelas de oportunidades à nossa frente.


Sempre que o sinto, lembro de que ele é mais do que ar em movimento, que uma brisa passageira. É companheiro de jornada, um guardião das histórias do mundo, um poeta sem papel nem tinta, que escreve seus versos nos suspiros e nas ondas invisíveis do ar. 

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