quarta-feira, 11 de junho de 2008

Carta ao CEP 03307-000


"..."


Não agradeço pelos abraços de 'todos os dias', e sim pelo primeiro. De certo tão acolhedor quanto os atuais, mas onde inconscientemente reconhecemos nossas essências por trás de nossas máscaras (in)felizes e (in)completas;


Não agradeço por segurar minha mão sem que eu nem precise estendê-la, mas sim por ter me transmitido tamanha segurança que, em um momento de fragilidade, tornou-se meu único refúgio sem que eu sequer entendesse a razão para tal;


Não agradeço pelas tantas palavras lindas que me são ditas, recitadas, cantadas e coloridas a qualquer instante quebrando a monocromática rotina, mas sim pelos tantos momentos de silêncio, onde todas as verdades, as mais puras verdades, vêm à tona traduzidas em olhares de tons variáveis que preenchem áreas d´alma jamais antes preenchidas.


Não agradeço pelas horas divertidas, pelas músicas dançadas, pelas piadas contadas, tampouco pelas risadas compartilhadas, mas sim por me conduzir a memórias em câmera lenta de situações que ainda não vivi. Talvez esses sejam os sonhos se esforçando para tomar formas mais concretas na ânsia de se tornarem realidade.


Não agradeço por estar presente, e sim por ser presente, por ter se tornado um presente, uma dádiva constante em meio a tanta efemeridade dos dias atuais.


Não agradeço pelo dia de hoje, mas sim pelos amanhãs e pelas manhãs de sempre em diante.


OBRIGADA!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

"..."

Queria saber escrever sobre pessoas e talvez também sobre sentimentos, até porque não sei se em algum momento esses dois se separam. Sentimentos sem pessoas nem chegam a ser palavras ao vento, e pessoas sem sentimentos... será que são?
Queria ter o privilégio de sentir o que as pessoas sentem naquele exato momento especial, seja lá ele qual for ou por quanto tempo durar... queria essa sintonia, essa sincronia... assim seria possível traduzí-las da maneira correta, sem exageros tampouco economias.
Queria poder presentear cada história ao seu respectivo dono, queria parafrasear poetas e 'escolher a palavra mais bonita para poder dizer coisas do coração'...
Queria que as pessoas permitissem que seus sentimentos fossem exatamente o que são em sua forma bruta. Que no máximo pudessem ser lapidados, melhorados... assim suas histórias se tornariam mais visíveis, mais acessíveis... e teríamos mais poesias... rimadas ou não.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

"..."


Virei a página. Não era mais personagem daquela história. O vento por algumas vezes revirou as coisas e trouxe aquela face escrita de novo. Por esse capricho da natureza, pequei ao reler e tentar pegar a caneta e prosseguir. Ato falho. Só aumentei os riscos, as rasuras. A folha ficou frágil, quase rasgou. Manchei as últimas linhas, talvez toda história.
Virei a página, mas confesso que volto e releio uns parágrafos, ainda que me cause reações contraditórias. Sorrio, mas suspiro. Frases lindas, que têm vida e personalidade, mas que sopram uma brisa gélida quando lidas. Não posso fchar o livro e guardar, porque prezo pelo rascunho. Passar uma página a limpo seria apagar as tentativas e talvez até seus resultados. Não saberia mais a razão por ter ficado feliz ao errar, ou tão triste por ter acertado.
Virei a página. Sim, agora tenho certeza! Empreguei muita força na escrita anterior, e a nova página, ainda em branco, tem marcas. Sinto o baixo relevo com a ponta dos dedos. Tento escrever, mas a letra tem ficado irregular por tentar sobrepor as "cicatrizes". Nesses momento, exatamente durante o hiato criativo, me é oferecida uma caixa. Não sei o que ela contém, mas confio em quem a trouxe. Não tardei a abrí-la, e me deparei com muitos lápis de cor. Sem notar, com o tempo havia deixado as cores de lado. "Só quero te ver sorrindo, menina". E assim, como uma criança grata diante do presente, faço um desenho na folha marcada. Nunca fiz traços tão coloridos! Me divirto ao tentar fazer o desenho mais lindo! Traços livres como música, como poesia. E em pouco tempo...tudo pronto! Há quem diga que se for observado com atenção, o palhaço colorido e sorridente te acalenta e alegra a alma.
Virei a página.