quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Palavra

"..."

Se alguém acredita ser capaz de dominar as palavras... muito enganado está. As palavras têm vida e personalidades próprias, e circulam livremente por aí. A vergonha, por exemplo, anda acompanhada do sorriso, que mantém-se sempre contido, pequenino. Porém certas vezes o sorriso passeia sozinho... e sorriso sem vergonha é outra história... Sonho é palavra leve, que desliza livre por todos os cantos e não obedece nem mesmo a senhora lógica. Aliás tudo que o sonho não faz é obedecer regras. Ele é o que quer ser e ponto final. Medo é pesado, se arrasta pelo chão e reluta para dar qualquer passo. Por algum motivo, tem horas que o medo cresce, toma dimensões gigantescas e seus passos duros parecem esmagar a confiança e tantas outras palavras. Só nunca atingiu a esperança. Essa é palavra levada, apressada... sempre chega antes de todos, e nunca, nunca deixa um recinto. Dizem que ela é eterna. Esperança é parceira do sonho, e juntos sempre convidam a alegria à participar das festas. Há quem diga que a lágrima é palavra indecisa, pois nunca sabe ao certo quem acompanhar. Prefiro acreditar que ela é sociável. Responde prontamente aos convites de felicidade, mas também se faz presente nos momentos que a tristeza pede companhia. Até mesmo visita a solitária solidão! Criatividade sempre com suas idéias revolucionárias, propôs uma reunião entre todas as palavras. Com seu magnetismo atraiu todas as palavras para seu redor, e convenceu-as que juntas criariam uma nova companheira. Todas se esforçaram, deram seu melhor... assim nasceu poesia.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Estradas

"..."
Passamos por toda essa vida em busca de algo, em busca de um tudo que sequer sabemos se nos é realmente necessário. Sempre algo nos falta. Nossa obstinação nos leva à todas as rotas que nos foram destinadas (ou nós mesmos que as traçamos e agora só não temos ciência disso?), e nessa maratona pessoal esbarramos com pessoas que apesar de terem vindo de outros ares, de outras estradas, certamente têm seus objetivos em algum momento semelhantes aos nossos. Muitas vezes somente às cumprimentamos e seguimos, cegos dentro do nosso egoísmo, ou da nossa pressa por nos satisfazermos o quanto antes. Alguém nos soprou que a vida é curta, e a partir de então passamos a correr feito loucos com nossa bagagem de vida em mãos... e como todos sabemos, uma hora a bagagem não suporta a correria e se abre no meio da estrada, espalhando toda nossa história. Nessa hora nos pegamos estáticos, vulneráveis. Nossa vida ali, exposta, espalhada. Por vezes tendenciamos catar algumas partes, algumas peças e sentar em um canto. Lamentamos o ocorrido, culpamos o mundo, queremos que tudo pare à nossa volta. Mas nada pára... nem nós mesmos. As pessoas continuam a cruzar nossos caminhos, e sem notarmos, muitas não somente nos ajudaram a recolher o que deixamos cair, como adicionam peças, adicionam histórias às nossas babagens. Não somente adicionam como ajudam a carregá-las, ou até mesmo nos mostram que não há um peso real a carregar se você não for tão ansioso, pois perseverança não requer velocidade, e seu caminho será traçado de forma mais prazerosa se você souber admirar a vista, afinal de contas, o que buscamos é preenchido no percurso.