domingo, 4 de novembro de 2007

"...Que a incerteza não escorregue feito pedra de sabão..."

"..."

Como em um túnel, segui no escuro focado em algo que me levava à frente. Em passos lentos ou ágeis, uma hora haveria de atravessar esse caminho, por maior que fosse o breu à minha volta. Havia optado por seguir firme. Me aproximo do outro lado, e ao chegar na extremidade oposta, me deparo com miragens. O que impulsionava não existia. A decepção pela esperança abstrata me levou a parar meus passos. Tive a visão ofuscada diante de toda luz naquele grande espaço. Grande espaço vazio. O silêncio absoluto daquele local me atordoava com a mesma intensidade e velocidade das imagens e sons que ocupavam minha mente. Estava só. Somente contava com a presença da total ausência. Os passos se tornaram desnorteados, já que sequer uma direção tinha. Qualquer rota levaria diretamente a lugar nenhum. Por ali estive não sei ao certo por quanto tempo... sequer sei como conto o tempo. Talvez o correto seja contar com ele, pois suspeito que o mesmo possa me conduzir até um porto mais seguro, onde o ar é tão leve que me depararia com borboletas floreando o ambiente. Quiçá viriam até a mim.
Agora apesar das sazonais vertigens causadas pela altura, não me veria em um local obscuro. Voltaria a seguir em frente, mas ainda com passos hesitantes, pois esse caminho deveria ser traçado com mais cautela, e seria dividido em vários trechos.
Muitos já teriam sido percorridos, e o trecho iminente... seria um destemido salto ao ar.

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