"..."
... e então a princesa entra apressadamente em seus nobres aposentos. Bate a porta como se aquele pesado pedaço de madeira de lei pudesse a separar do mundo. Trêmula admite que aconteceu mais uma vez. Talvez seja uma maldição que lhe foi rogada por alguma feiticeira afetada por seus sorrisos distribuídos gratuitamente pelo reino. Na verdade ela tenta não pensar sobre isso, quer esquecer qualquer incômodo além daquele cômodo. Mas esforçar-se em esquecer é enfatizar a memória... e então ela lembra detalhadamente como o encanto ocorre... a princesa vive rodeada por seus companheiros, conselheiros, cavalheiros... todos com belos sorrisos, rostos que lhe transmitem total segurança. Então em um dia qualquer, sem prévio aviso, como em um pesadelo, ela não é mais capaz de enxergar seus rostos. Eles simplesmente se desfazem, transformam-se em íntimos desconhecidos. Então o pânico de toma a alma, e ela corre para o único local onde ela pode estar com sua real confidente. Sua imaginação. Com ela novas faces, novas almas,novas auras são traçadas, e então ela retoma coragem para sair de seus aposentos e contactar alguns sem-rosto. Sim, pois alguns insistem em conviver com ela no reino... a mesma aceita de bom grado, pois, por uma razão desconhecida, ainda sente-se bem com eles. "Não têm rostos mas têm coração". E então a princesa presenteia seus companheiros (sem que eles sequer imaginem) com rostos idealizados, e então é capaz de voltar a sorrir. O único problema é que sua confiança na amiga imaginação é tamanha que ela passa a crer que os traços são reais... esquece-se do feitiço. Com o tempo tudo se esvai como fumaça... ela se assusta novamente... esconde-se novamente. Mas nem tudo em sua vida limita-se aos sem-rosto. Chegam ao reino novos conselheiros, com propostas interessantes... alguns dizem ser imunes ao tal encanto...e a crédula menina os toma por braço direito com todas suas esperanças de agora vencer o tal pesadelo. Ledo engano. Ninguém está a salvo. O temor nesses casos é ainda maior. Ela corre com toda sua velocidade para seus aposentos, seu local mais seguro. Bate a porta com tanta força que de longe todos podem ouvir o estrondo... do castelo inteiro se desfazendo. Seu majestoso castelo... de areia.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
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Um comentário:
Puxa... é bonito, é triste, e por isso é bonito, eu acho.
Hummm fiquei sem saber o que dizer huhuhuhu
Bjoss mocinha
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